Terça, Setembro 19, 2017
   
Text Size

“Familia Saúde” – Alergias a picadas de insectos

 

A alergia à picada de insecto, cientificamente chamada de estrófulo, gera sintomas como vermelhidão local, inchaço da área, intensa coceira e saída de um líquido fluido e transparente pelo local da picada.

As reacções provocadas após a picada, agrupam-se em dois tipos de acordo com o insecto em causa:

  • Por insectos sugadores ou hematófagos (mosquitos, pernilongos, borrachudos, mutucas e pulgas) que provocam reacções locais e geralmente autolimitadas.
  • Por insectos que injectam veneno (vespas, abelhas e formigas), os quais podem provocar reacções graves como anafilaxia. Esta é caracterizada por queda da pressão arterial e extrema dificuldade em respirar, devido ao edema de glote. Nestes casos, a reacção é muito rápida e o indivíduo deve ser levado para o hospital o mais rápido possível, pois existe o risco de morte por asfixia.

Ao ter alergia a algum destes insectos, o indivíduo tem cerca de 60% de hipótese de ter uma reacção alérgica igual ou pior se for picado uma outra vez.

As picadas de mosquito são as mais comuns entre nós. Normalmente os mosquitos picam nos braços, pescoço, nos ombros ou em qualquer área que se encontre exposta. Fazem-no numa só área e de forma dispersa, são picadas que causam coceira e inflamam um pouco, mas passados poucos minutos o desconforto diminui. São inofensivas na maior parte dos casos, mas em outros podem transmitir doenças como a Dengue ou a Malária (em países tropicais), por isso perante sintomas como a febre, fadiga e o mal-estar geral deve ir imediatamente ao médico.

Deve ficar atento à forma como evolui a picada de insecto. Se nota que a marca fica mais vermelha com o passar dos dias, lhe arde, pica demasiado ou está infectada, vá imediatamente ao médico. Se começar com mal-estar geral ou qualquer outro sintoma pouco habitual, deve também procurar o médico.

 

No caso da picada de abelha a dor é aguda quando esta acontece. A região da picada costumam ficar vermelha, arde e é desconfortável. Este tipo de picadas de insectos são delicadas devido a um grande número de pessoas alérgicas ao veneno das abelhas, se é o caso deve recorrer de imediato a ajuda médica.

As picadas das pulgas e dos percevejos são muito parecidas. Estes insectos também picam em fila, fazem duas ou três marcas e continuam avançando para continuarem a chupar o sangue. Este tipo de picadas ocorre com frequência nos tornozelos e pés, embora se estivermos num sítio infestado de pulgas, estas podem ocorrer em qualquer parte do corpo. São picadas parecidas às de um mosquito um pouco maiores e que envermelhecem com muita facilidade e causam grande comichão. Deve proceder segundo orientação do seu médico ou farmacêutico.

As carraças que se encontram de forma abundante nos bosques, campos e espaços abertos, aproximam-se dos humanos normalmente através dos animais de estimação. Podem ser muito pequenos mas à medida que se vão enchendo de sangue aumentam de tamanho. Estes enterram a sua cabeça na pele para comer, causando dor, comichão e desconforto onde se instalam. Ao removê-los é importante que se certifique que a cabeça não ficou presa na derme, a sua picada também não passa despercebida originando pequenas feridas na maior parte dos casos, podendo resultar em febre. A picada de carraça deve passar sempre por ida ao hospital.


Tratamento para alergia à picada de insecto

Para o tratamento da alergia à picada de insecto, recomenda-se passar de imediato gelo no local durante dez minutos. O gelo vai promover uma vasoconstrição e diminuir a inflamação. Depois deve aplicar cremes apropriados para cada caso ou mesmo a toma de anti-histamínicos, aconselhados pelo seu farmacêutico. Deve evitar coçar a área, pois pode agravar o quadro e gerar uma infecção secundária, que só poderá tratar-se com antibiótico, após consulta médica.

Se, ao ser picado por um insecto, a área ficar cada vez mais inchada, recomenda-se ir ao médico e, se possível, com o insecto que o picou, para que este seja identificado. Isto é importante, pois, se for o caso de uma picada de abelha, por exemplo, é preciso retirar o ferrão deixado por ela para que a ferida seja curada. Recomenda-se proteger do sol o local da picada, particularmente após a aplicação de cremes com corticosteróides.

O maior número de casos de alergias a picadas, em Portugal acontece no verão, já que os insectos aparecem em maior quantidade em regiões quentes e húmidas. Na Figueira da Foz, os campos de arroz, têm uma elevada prevalência de mosquitos. Esses insectos são atraídos ou repelidos pelo odor da pele.

O diagnóstico é clínico e as lesões apresentam um aspecto característico. Inicialmente estas lesões têm 3 a 10 milímetros formando uma circunferência com uma saliência avermelhada, com um ponto central hemorrágico (avermelhado) em número de cinco ou seis, posteriormente é substituído por uma bolha pequena de conteúdo líquido. Esta gota rompe espontaneamente ou após coçar e forma uma crosta. Essa evolução acontece normalmente em oito dias.

Às vezes acontece uma infecção secundária no local. Esta infecção pode vir da coçadura da lesão ou das fezes do insecto, que quando sugam podem também evacuar. Após a queda da crosta, podem aparecer manchas no local (mais claras ou mais escuras). Uma única picada pode originar múltiplas lesões por disseminação sanguínea dos agentes inflamatórios.

O estrófulo localiza-se especialmente em braços, pernas, cintura, abdómen, região glútea e dorso. É menos comum em face e órgãos genitais. Não são encontrados em regiões axilares. As lesões provocadas pela picada de insecto causam muita coceira, mais a noite. O estrófulo tende a desaparecer com a idade, mas pode manter se por três ou quatro anos seguidos.

As reacções a picadas de insectos envolvem mecanismos imunológicos e não imunológicos, com participação de um anticorpo chamado IgE (imunoglobulina E) nas reacções imediatas e um anticorpo chamado IgG (imunoglobulina G) nas reacções semitardias e tardias. A liberação de mediadores explica a coceira e o inchaço na reacção imediata e a atracção de células inflamatórias justifica a formação de uma reacção tardia.

Os surtos de picada de insecto surgem com frequência após um final de semana na praia ou passeio no campo ou visita à casa de parentes com cachorros ou gatos (presença de pulgas).

Prevenção

Podem ser estabelecidas medidas preventivas em relação aos insectos e às pessoas. Em relação aos insectos é interessante eliminar depósitos de água parada, onde são depositados ovos de insectos, na casa e nas suas proximidades. Devem usar insecticidas nos ralos para proteger os ambientes, aplicar insecticidas e repelentes de insectos nas residências, calafetar ainda janelas e portas. Colocar telas nas janelas e cortinados nos quartos é recomendável. Devem afastar os cães e gatos e se não for possível, mantê-los limpos e livres de pulgas, usando desparasitantes apropriados.

Em relação às pessoas, podem usar roupas protectoras e repelentes de insectos. Estes repelentes existem sob a forma de bisnaga, roll-on, spray, selos e pulseiras.

Fala-se em tomar vitamina B1, que ao ser eliminada pela pele produz um odor repelente. Convém manter ainda as unhas curtas e aparadas para evitar a infecção secundária.

Anabela Mascarenhas e Rita Fernandes

 

Leia mais: Anafilaxia | Alergias