Segunda, Julho 24, 2017
   
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“Familia Saúde” – Dormir bem, sem benzodiazepinas

 Com a mudança do século, os hábitos de vida e os horários habituais das pessoas mudaram. A disseminação da electricidade e dos dispositivos electrónicos aumentaram os hábitos de vida nocturnos, dentro e fora de casa.

“Deitar cedo e cedo erguer”, já não faz parte dos hábitos dos adultos e mesmo de algumas crianças. Assim surgem as dificuldades em adormecer e o sono menos reparador ou até insónias. Contudo, dormir bem é possível, pois é mesmo uma necessidade essencial do ser humano, para ter qualidade de vida, manter a produtividade e evitar problemas de saúde. Estima-se que 30 a 40% da população enfrenta dificuldades relacionadas com o sono, muitas vezes sem perceber. Quando se apercebem, procuram ajuda médica, com consequente aumento das prescrições de medicamentos ansiolíticos, principalmente as chamadas benzodiazepinas: alprazolam e diazepam, entre outros, são nomes de medicamentos, que são armazenados nas gavetas de muitas casas.

Portugal apresenta um dos maiores níveis de utilização de benzodiazepinas ao nível europeu. A utilização de benzodiazepinas tem sido associada não só às faixas etárias mais elevadas, mas também ao sexo feminino, ao desemprego e aos indivíduos em situação de reforma. Foram prescritos como tratamento de curta duração (2 a 4 semanas) para estados de ansiedade e insónia entre outros. No entanto,  estes medicamentos não são tão seguros como aparentam e o uso crónico destes fármacos, para além dos riscos de dependência, tem efeitos ao nível das capacidades psicomotoras, estando demonstrado que aumentam o risco de fracturas e acidentes de viação. Outros problemas estão relacionados com falhas de memória e disfunções urinárias até ao grau de viciação extremamente alto, estes fármacos podem provocar danos irreversíveis para quem os use ao longo da sua vida.

Existem exercícios de higienização do sono e terapêuticas à base de suplementos alimentares como a valeriana, passiflora e a melatonina entre outros, que já demonstraram ser muito eficazes no tratamento da insónia e não trazem todos os problemas das benzodiazepinas.

Restringir o uso destes fármacos ao mínimo deve ser uma prioridade de todos os profissionais de saúde, uma vez que as consequências do seu uso podem ser devastas para a população. Assim, medicamentos para dormir deveriam ser usados apenas por períodos curtos, o uso frequente acaba em dependência e não são eficazes após algum tempo.

Não se automedique, procure o seu médico ou farmacêutico. Quando este lhe negar a venda de uma benzodiazepina sem receita médica, não procure outro mais facilitador. Escute-o, pois decerto terá uma solução melhor para si, para bem da sua saúde.

Anabela Mascarenhas e·Raúl Almeida