Segunda, Julho 24, 2017
   
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“Familia Saúde” – Cigarro electrónico, Sim ou Não?

O cigarro electrónico foi inventado em 2003 por um farmacêutico chinês chamado Hon Lik, sob alegação de ser uma forma menos nociva de consumir a nicotina, sem que o tabaco fosse queimado, evitando assim e eliminação das mais de 4.700 substâncias produzidas nessa queima. Porém, especialistas hoje afirmam não haver certezas sobre a exposição a longo prazo à nicotina sozinha.

Vários profissionais de saúde, especialmente pneumologistas, estão preocupados com a falta de estudos sobre o efeito do vapor com nicotina sobre a saúde. Também não se sabe se o e-cigarro funciona como um meio eficaz para acabar com a dependência de nicotina. Teme-se que se torne um vício substituto, atingindo até quem não fuma. Como existem dispositivos só com sabores, sem a substância viciante, os não fumadores podem sentir-se inclinados a experimentar, particularmente os mais jovens. Quem estuda dependências diz que esse é um passo perigoso em direcção aos líquidos com nicotina, uma potencial porta de entrada para o tabagismo

“Não é tão inofensivo quanto dizem os fabricantes. Por isso não deve servir para brincar, não se trata de algo lúdico, totalmente saudável”, afirma Thomas Laurenceau, chefe de redação da revista “60 millions de consommateurs”.

Esta revista, publica os resultados de um estudo revelando que o dispositivo pode libertar substâncias com potencial cancerígeno. Entre os elementos nocivos detectados pelo estudo, conta-se o formol, a acroleína e o acetaldeído, podendo variar de marca para marca.

O estudo detectou também problemas ao nível da segurança dos aparelhos, como a falta de uma rolha em certas recargas, o que pode ser perigoso, caso o aparelho vá parar a mãos de crianças, uma vez que a nicotina é uma substância altamente tóxica.

O cigarro electrónico tornou-se um sucesso de vendas nos últimos anos. Os consumidores adquirem-nos mesmo com falta de informações exactas sobre o produto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso do cigarro electrónico. Pelo contrário, um documento obtido pelo diário britânico Financial Times revela que a OMS estuda classificar os cigarros electrónicos exactamente da mesma forma que o velho cigarro – Fumar Mata.

 

Anabela Mascarenhas e Raúl Almeida