Domingo, Abril 23, 2017
   
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“Família Saúde” - Desnutrição nos idosos

 

Cerca de 30% dos idosos portugueses sofrem de desnutrição, de acordo com dados recolhidos pela Associação Portuguesa de Dietistas.

Segundo a associação, a principal causa de desnutrição é a redução do apetite, que podem ser motivados por incapacidades físicas, solidão, morte do companheiro, depressão, isolamento ou pobreza.

A mesma associação refere que foram recentemente desenvolvidas algumas investigações em Coimbra, Guarda e Aveiro que apontaram que cerca de 50% dos idosos estavam em desnutrição.

Deve-se ter cuidado com a perda do paladar e olfacto que também ocorre, pois diminuem o apetite e podem tornar-se um factor de risco para desnutrição.

Há uma perda de músculo relacionada à idade, o que contribui para diminuição da força muscular, alterações do modo de andar e equilíbrio, e risco aumentado de doenças crónicas.

Desnutrição é assim causada pela falta de ingestão ou absorção de nutrientes. Ou seja, ter uma alimentação em quantidade ou qualidade insuficiente em calorias e nutrientes. Existem casos muito graves, cujas consequências podem chegar a ser irreversíveis, mesmo que a pessoa continue com vida. Entretanto, a desnutrição pode ser leve e traduzir-se, sem qualquer registro de sintomas, numa dieta inadequada.

A falta de acesso a alimentos com alto valor nutritivo, fracos hábitos alimentares e ainda a falta de informação sobre o valor nutricional dos alimentos levam à desnutrição. Outros factores determinantes podem ser infecções frequentes ou persistentes, como diarreia e pneumonia.   Podem ainda resultar de parasitoses, cancro, anorexia, alergia ou intolerância alimentar, digestão e absorção deficiente de nutrientes.

Os nutrientes com maiores índices de deficiência nos desnutridos são:

  • Ácidos gordos essenciais
  • Arginina
  • Cálcio
  • Vitamina A
  • Vitamina C
  • Vitamina D
  • Vitamina E
  • Zinco

Em todas as idades precisamos de vários nutrientes para nos mantermos saudáveis. Assim é necessária uma dieta equilibrada, consumindo regularmente alimentos de todos os grupos alimentares.

Os adultos mais velhos nem sempre incluem frutas, hortaliças e lacticínios adequados, o que pode afectar seu estado nutricional. O uso de suplementos orais comerciais ou de sondas alimentares podem ajudar a atingir as necessidades maiores de nutrientes, se necessário.

Uma dica importante é consumir refeições e lanches coloridos, visualmente apetitosos, saborosos e de consistência apropriada a cada idoso. Quatro ou cinco refeições menores são mais bem toleradas do que somente as três refeições principais. A ingestão de carnes é fundamental e deve ser prioritário o consumo de hidratos de carbono que possuem mais fibras, como feijão, lentilha, grão-de- bico, grãos integrais e frutas. Cuidado com as gorduras, prepare as refeições com pouco óleo, sem fritos. O azeite pode ser moderado!

A desidratação é mais comum do que se pensa nos adultos mais velhos, causando sintomas como obstipação, dor de cabeça, sede, boca e pele secas, tonturas, entre outros. Logo, não podemos esquecer a água, já que os idosos precisam de hidratação constante.

Os vários profissionais de saúde devem estar atentos e intervir para evitar a desnutrição, reduzindo assim o agravamento de muitas patologias, prevenindo assim o internamento de muitos idosos.

 

 Anabela Mascarenhas e Nélio Oliveira