Segunda, Julho 24, 2017
   
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“Família Saúde” - Menopausa – uma nova etapa na vida da mulher… (sem vida sexual?...)

 

A menopausa é uma importante etapa na vida da mulher. Coincidem alterações físicas e psíquicas próprias da faixa etária que se aliam a marcantes mudanças de índole familiar e social, aos quais nem sempre é fácil adaptar-se. É necessário pois, que as mulheres estejam informadas sobre as alternativas terapêuticas que existem e como podem cuidar-se para melhor ultrapassar essa fase.

O termo menopausa é derivado das palavras gregas men (mês) e pausis (pausa, cessação), sendo este utilizado para definir a data da última menstruação da Mulher, em consequência da falência ovárica definitiva. Embora a menopausa seja facilmente identificável, observa-se alterações significativas no organismo da mulher antes e após a cessação definitiva da menstruação: irregularidades menstruais, calores, afrontamentos, transpiração noturna, alterações do humor e do sono, entre outros. Este período em que se verifica um declínio progressivo da função ovárica denomina-se climatério e compreende três fases:

  • Pré-menopausa – todo o período de tempo entre o começo da falência ovárica (início dos sintomas) até à menopausa;
  • Perimenopausa – fase que engloba a pré-menopausa até um ano após a menopausa;
  • Pós-menopausa – período que se segue após a última menstruação.

Estima-se que a menopausa ocorra aproximadamente entre os 45 e os 55 anos. Como a tendência da esperança média de vida da mulher moderna está a aumentar, torna-se pertinente abordar e estudar mais este tema, pois as mulheres passam cada vez mais uma parte considerável da sua vida na pós-menopausa.

A queixa principal de cerca de 60 a 80% das mulheres em menopausa relaciona-se com os “calores, fogachos, afrontamentos” que surgem espontaneamente de um calor intenso que avança do tórax até ao pescoço e face, acompanhado de ansiedade, irritabilidade e aumento da frequência cardíaca e que se segue em poucos minutos de suores frios. Com a ausência dos estrogénios surgem ainda alterações a nível do sono, humor e memória, sendo os sintomas mais prevalentes a irritabilidade, choro fácil, ansiedade, humor depressivo, falta de energia, motivação e concentração. A diminuição de estrogénios causa uma perda progressiva do colagénio cutâneo, causando uma diminuição da tonicidade a nível da pele, com um aparecimento acelerado das vulgares rugas.

O desconforto urinário e a secura vaginal também são uma consequência desta alteração fisiológica, sintomas que interferem na actividade sexual da mulher e são os responsáveis pela diminuição da líbido e auto-estima, afectando o relacionamento com o parceiro.

Algumas mulheres que se sentiram obrigadas a manter relações sexuais por toda uma vida, justificam a perda da função sexual com o fim da menstruação. Usam a menopausa como escudo para não precisarem mais de "servir" os seus parceiros sem obtenção de prazer. Já outras mulheres experimentam uma melhoria da vida sexual e do seu desejo com a falta do ciclo menstrual, pois não precisam mais de temer a gravidez indesejada e também não têm filhos pequenos que atrapalhem o sono ou que ocupem muito a sua atenção ao longo do dia. Logo, é uma questão na qual o peso cultural tem grande influência.

Com a perda da produção de algumas hormonas na menopausa, a mulher fica com menos lubrificação vaginal, devendo ter maior cuidado durante o acto sexual. Quando a vagina fica seca, o atrito do pénis pode machucá-los aos dois, além de poder provocar algumas infecções (vulvovaginites). O uso de cremes lubrificantes é aconselhável. Outro fenómeno que ocorre é a perda da gordura localizada nos grandes lábios, fazendo com que a vagina diminua de tamanho e esteja mais propensa a sofrer dor no coito.

A carência estrogénica traduz-se por um aumento precoce da incidência de osteoporose, com uma diminuição acentuada da densidade mineral óssea.

O factor que mais influencia este aumento de peso na menopausa é a falta de exercício físico, mas uma dieta saudável e pouco calórica ajuda igualmente no controlo do ganho da massa adiposa.

Com todas estas alterações fisiológicas e corporais que tanto afectam o bem-estar e qualidade de vida das mulheres, tornou-se urgente solucionar estes problemas com terapias seguras e eficazes.

A Terapia Hormonal de Substituição (THS) refere-se à toma de suplementos hormonais pelas mulheres durante a menopausa com o objectivo de minimizar os efeitos e sintomas relacionados com o défice de estrogénios e progesterona no organismo.

Os fitoestrogénios são compostos derivados de espécies vegetais, com alguma actividade estrogénio-like. Dentro deste grupo de compostos encontram-se as isoflavonas.

As isoflavonas são encontradas em quantidades consideráveis na soja (Glycine max) e em plantas como a Red Clover (“Trevo Vermelho” – Trifolium pratense) e Black Cohosh (“Acteia” ou “Erva de São-Cristovão” – Cimicifuga racemosa), mas devem ser ingeridas na quantidade e qualidade certas.

 

 Anabela Mascarenhas e Ana Rita Fernandes